Há pessoas que funcionam como armas biológicas. Elas não explodem — elas falam. E ao falarem, não libertam — ferem. Com precisão de flecha e veneno de cobra. Talvez nem saibam. Talvez saibam. Talvez tenham se acostumado com o barulho da própria voz ferina e confundido isso com força. Talvez tenham desaprendido a oferecer consolo porque nunca o receberam. Mas o fato é que existem. E quando cruzam o nosso caminho, deixam mais do que lembranças: deixam traumas. Uma frase dita num tom torpe, uma palavra que corta, uma acusação que ecoa por anos dentro da alma como um grito preso no tempo. Você se pergunta: — Como alguém pode usar a língua para traumatizar? E a resposta é triste: é porque pode. Porque aprendeu que é mais fácil se proteger atacando. Porque confundiu frieza com lucidez. Ou talvez, como disse o Cristo, porque o amor se esfriou. Sim, é bíblico: ...
Um diário em forma de poema torto. Lucidez demais para um mundo que gosta do avesso. Reflexões, crônicas e surtos leves — porque viver é uma arte meio sem nexo.