Pular para o conteúdo principal

Dom Quixote: o Esconde-Esconde de Cervantes


Ler Dom Quixote é entrar num jogo antigo e engenhoso — onde Cervantes brinca de se esconder em cada página.

Uma hora ele é o cavaleiro que delira, outra hora é o servo que observa, depois o cativo que sofre — e por trás de tudo, talvez, apenas um homem que escreve para não se perder de si mesmo.

Cervantes se espalha em vozes, muda de máscara, sorri pelas frestas da narrativa.
Ele não quer que a gente o ache — quer que a gente o sinta.

Zoraida é Dulcineia com corpo e escolha. O Cativo é Quixote sem armadura, mas com coragem. E Sancho é o leitor, que ri, duvida e ama — tudo ao mesmo tempo.

Dom Quixote não é um romance, é um espelho quebrado: cada pedaço mostra um fragmento da realidade, da loucura, da esperança, da dor, da sátira, da fé.
E no centro de tudo isso está o autor escondido — sorrindo de nós, conosco.

Essa foi minha leitura: uma dança com Cervantes. Um esconde-esconde onde o prêmio final não é achá-lo… é se achar!

Por Ana Raquel Lima 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ser doce é...

.Fazer o que é direito. .Obedecer a Deus mesmo quando parece difícil demais. Isaías 5:5-7. ...então porque produziu uva azedas em vez das uvas doces que  eu esperava? O Salmo 1 diz  "felizes são as pessoas que obedecem e meditam na Palavra de Deus. Essas pessoas são como árvores que crescem na beira de um riacho, elas dão frutos no tempo certo." Tudo o que elas fazem dá certo. A palavra de Deus é o riacho que lhe dá crescimento e vida, fazendo com que seus frutos sejam doces e saborosos. Estar plantado junto à palavra de Deus significa  obedecer a Deus e fazer o que é correto, mesmo que ninguém veja ou aplauda. Estar distante, ao contrário, nos conduz a caminhos incertos e cheios de dúvidas. Agir por conta própria sem ter a palavra de Deus como sustento, como fonte e alimento, teremos como resultado frutos azedos, amargos e até podres. A plantação de uvas do Senhor, as parreiras que Ele tanto gosta são seu povo. Deus esperava que obedecessem a s...

Carta à minha existência

Carta à minha existência Preciso de ar. De espaço onde minha alma não bata nos móveis da pressa. Preciso do campo aberto, mesmo que seja imaginado. Da liberdade de não precisar provar nada a ninguém. Preciso de silêncio — mas não o silêncio do medo, e sim o da paz que nasce quando o coração está inteiro. Quero meus pés tocando o chão sem exigência de destino, meu corpo leve, livre de urgências. Quero o essencial. A leveza de existir por existir. Não preciso brilhar para ninguém. Só preciso viver em paz comigo mesma. Isso me basta. E nisso, sou completa. — Ana & Verso (à maneira de Virginia Woolf)

Fé que produz alegria...

“Todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” Hc 3:18 Quando o profeta Habacuque faz esse propósito de viver em alegria, estava a contemplar os campos sem frutos, os currais vazios, o chão árido e  seus irmãos a gemer de fome.  Apenas alguém que vive através da fé pode ser conduzido a esse estado de esperança e ânimo, mesmo em meio às piores circunstâncias. A alegria da confissão de Habacuque, no grego é “Gil”, sugere “bailar de alegria” ou “saltar”, no original significa: "rodopiar em redor com movimentos intensos”. Foi exatamente isso que fez o Rei Davi em 2 Sm 6:16; "E sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul estava olhando pela janela e viu que Davi ia saltando e girando acrobaticamente..." O Rei estava se alegrando no Senhor. Alguma vez você foi movido a dançar para o Senhor em meio a um campo devastado? Agradeceu a chuva e a colheita que es...