Pular para o conteúdo principal

Dom Quixote: o Esconde-Esconde de Cervantes


Ler Dom Quixote é entrar num jogo antigo e engenhoso — onde Cervantes brinca de se esconder em cada página.

Uma hora ele é o cavaleiro que delira, outra hora é o servo que observa, depois o cativo que sofre — e por trás de tudo, talvez, apenas um homem que escreve para não se perder de si mesmo.

Cervantes se espalha em vozes, muda de máscara, sorri pelas frestas da narrativa.
Ele não quer que a gente o ache — quer que a gente o sinta.

Zoraida é Dulcineia com corpo e escolha. O Cativo é Quixote sem armadura, mas com coragem. E Sancho é o leitor, que ri, duvida e ama — tudo ao mesmo tempo.

Dom Quixote não é um romance, é um espelho quebrado: cada pedaço mostra um fragmento da realidade, da loucura, da esperança, da dor, da sátira, da fé.
E no centro de tudo isso está o autor escondido — sorrindo de nós, conosco.

Essa foi minha leitura: uma dança com Cervantes. Um esconde-esconde onde o prêmio final não é achá-lo… é se achar!

Por Ana Raquel Lima 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Carta à minha existência

Carta à minha existência Preciso de ar. De espaço onde minha alma não bata nos móveis da pressa. Preciso do campo aberto, mesmo que seja imaginado. Da liberdade de não precisar provar nada a ninguém. Preciso de silêncio — mas não o silêncio do medo, e sim o da paz que nasce quando o coração está inteiro. Quero meus pés tocando o chão sem exigência de destino, meu corpo leve, livre de urgências. Quero o essencial. A leveza de existir por existir. Não preciso brilhar para ninguém. Só preciso viver em paz comigo mesma. Isso me basta. E nisso, sou completa. — Ana & Verso (à maneira de Virginia Woolf)

Elegia à Eponine

por tudo o que ela foi, mesmo quando o mundo disse que não poderia ser. Não nasceu para ser lida — e ainda assim, leu o mundo com uma sensibilidade que ninguém lhe ensinou. Não nasceu para ser amada — e ainda assim, amou com uma pureza que a literatura raramente ousa retratar. Éponine: filha da rua, irmã da fome, sombra de uma família sem alma. Te deram o nome, mas não o colo. Te deram a dor, mas não a palavra. E mesmo assim, você escreveu. Torta, frágil, insegura — mas escreveu. E naquele gesto, mais do que letras, você deixou um rastro de luz. Você poderia ter se tornado o que te cercava. Poderia ter sido amarga como a tua mãe, brutal como o teu pai, cínica como a miséria. Mas você escolheu, sem saber que escolhia, um caminho inverso: o da bondade silenciosa. O da entrega sem plateia. O do amor sem retorno. Morreste com o corpo ferido, mas com a alma inteira. Protegendo quem nem sabia do amor que o envolvia. Oferecendo o que te negaram. Dando o que dese...

Jesus é o Caminho, andai por Ele! (Pascoa)

O novo e vivo caminho está aberto... Pelo sangue do cordeiro que foi morto Podemos nos achegar a presença de Deus É Cristo quem nos justifica. Que venha o Rei da glória! Pr. Antonio Cirilo