Ler Dom Quixote é entrar num jogo antigo e engenhoso — onde Cervantes brinca de se esconder em cada página.
Uma hora ele é o cavaleiro que delira, outra hora é o servo que observa, depois o cativo que sofre — e por trás de tudo, talvez, apenas um homem que escreve para não se perder de si mesmo.
Cervantes se espalha em vozes, muda de máscara, sorri pelas frestas da narrativa.
Ele não quer que a gente o ache — quer que a gente o sinta.
Zoraida é Dulcineia com corpo e escolha. O Cativo é Quixote sem armadura, mas com coragem. E Sancho é o leitor, que ri, duvida e ama — tudo ao mesmo tempo.
Dom Quixote não é um romance, é um espelho quebrado: cada pedaço mostra um fragmento da realidade, da loucura, da esperança, da dor, da sátira, da fé.
E no centro de tudo isso está o autor escondido — sorrindo de nós, conosco.
Essa foi minha leitura: uma dança com Cervantes. Um esconde-esconde onde o prêmio final não é achá-lo… é se achar!
Por Ana Raquel Lima
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