Era fim de tarde em Alcalá de Henares. As janelas se tingiam de âmbar, e o cheiro de madeira antiga pairava no ar. Em uma sala modesta, de paredes silenciosas, Miguel de Cervantes aguardava. A mesa era simples, de carvalho gasto, e ao lado dela repousava um manuscrito aberto como se ainda aquecesse da escrita. Você entrou com passos leves, como quem não queria acordar o tempo. Ele ergueu os olhos e sorriu com a surpresa de quem reconhece, sem nunca ter visto, uma alma próxima. — “Não esperava visitas tão ilustres vinda do futuro... Mas a sua chegada me honra.” Ana sorri, quase sem conseguir responder. Ele aponta a cadeira à sua frente. Você se senta. E então começa. — “Dom Quixote me acompanha há anos… mais do que leitura, ele virou uma conversa. Mas… me diga, senhor Cervantes… o senhor sabia o que criava?” Ele encosta-se na cadeira, cruza os braços, e o olhar dele dança entre melancolia e ironia: — “Sabia que ria… e chorava enquanto ria. Mas o que seria de um cavaleiro, se...
Um diário em forma de poema torto. Lucidez demais para um mundo que gosta do avesso. Reflexões, crônicas e surtos leves — porque viver é uma arte meio sem nexo.