Era só mais um dia comum de luta desigual: eu, contra a matemática. A questão era a mesma de sempre, errada mais uma vez, como se debochasse da minha inteligência. O número não fechava, o raciocínio se esfarelava, e meus olhos já ameaçavam umedecer.
Foi quando a porta se abriu com aquele silêncio autoritário que só mãe sabe fazer. Nem batida, nem aviso — só a aparição.
— “Não chora pro diabo, tem que chorar pra Deus.”
Fiquei paralisada. A lágrima que estava prestes a descer recuou. A equação sumiu da mente. O universo inteiro ficou suspenso entre o "hã?" e o "que foi isso?"
Pensei: nem te chamei aqui, mulher…
Mas a fala já tinha caído sobre mim feito profecia. E antes que o constrangimento virasse blasfêmia, pedi perdão. Vai que Deus tá mesmo de olho e minha mãe é só o canal...
A vida seguiu. Eu continuei tentando resolver a bendita questão. Ela, minutos depois, veio oferecer um café como se nada tivesse acontecido.
E hoje? Hoje ela jura que nunca disse aquilo.
Mas eu ouvi. A parede ouviu. Deus ouviu.
E eu, claro, anotei no diário — porque certas frases merecem ser eternizadas.
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