Carta à minha existência Preciso de ar. De espaço onde minha alma não bata nos móveis da pressa. Preciso do campo aberto, mesmo que seja imaginado. Da liberdade de não precisar provar nada a ninguém. Preciso de silêncio — mas não o silêncio do medo, e sim o da paz que nasce quando o coração está inteiro. Quero meus pés tocando o chão sem exigência de destino, meu corpo leve, livre de urgências. Quero o essencial. A leveza de existir por existir. Não preciso brilhar para ninguém. Só preciso viver em paz comigo mesma. Isso me basta. E nisso, sou completa. — Ana & Verso (à maneira de Virginia Woolf)
Há pessoas que funcionam como armas biológicas. Elas não explodem — elas falam. E ao falarem, não libertam — ferem. Com precisão de flecha e veneno de cobra. Talvez nem saibam. Talvez saibam. Talvez tenham se acostumado com o barulho da própria voz ferina e confundido isso com força. Talvez tenham desaprendido a oferecer consolo porque nunca o receberam. Mas o fato é que existem. E quando cruzam o nosso caminho, deixam mais do que lembranças: deixam traumas. Uma frase dita num tom torpe, uma palavra que corta, uma acusação que ecoa por anos dentro da alma como um grito preso no tempo. Você se pergunta: — Como alguém pode usar a língua para traumatizar? E a resposta é triste: é porque pode. Porque aprendeu que é mais fácil se proteger atacando. Porque confundiu frieza com lucidez. Ou talvez, como disse o Cristo, porque o amor se esfriou. Sim, é bíblico: ...